[Melhores Álbuns da Década] 2001

29 29UTC janeiro 29UTC 2010

Por Feliperene

Depois de um longo período de inatividade cerebral, volto ao [DES]Bloqueio para dar continuidade à série de melhores álbuns da década. Sem mais delongas, bora falar do melhor disco de 2001 para este que vos fala.

Quando vi o videoclipe de Last Nite dos Strokes pela primeira vez, tinha a certeza de que se tratava de uma banda dos anos 70. Pelo visual e qualidade do vídeo, imaginava uma banda de garagem de décadas atrás, não os “salvadores do rock” dos anos 2000. Apesar do enfadonho termo normalmente gerar frustrações e/ou desconfianças, o fato é que Is This It definiu (para o bem e para o mal) boa parte do rock produzido nos últimos anos.

Certo, o som do The Strokes é sugado diretamente do rock de garagem setentista e do pós-punk dos anos 80, incluindo uma pitada de reggae (ou seria de carimbó?). Ainda assim a banda foi referência para The Libertines, Arctic Monkeys entre outras tantas bandas bacanas ou não recentes. Is This It tem todo um charme inegável, a começar pela honesta pélvis exposta na capa. As batidas das guitarras de Nick Valensi e Albert Hammond, Jr. com suas contínuas palhetadas para baixo acompanham alguns dos riffs mais marcantes do “novo rock”, como nas já clássicas Hard to ExplainLast Nite.

As letras são 100% responsabilidade de Julian Casablancas. O vocalista aborda dilemas de uma juventude contemporânea, num contexto quase underground, composto majoritariamente por, veja lá,  sexo, drogas e rock’n roll. Clichê? Sim, mas talvez seja difícil pedir algo diferente para o filho do dono da maior agência de modelos do mundo.

De qualquer maneira, Julian não cai no mar de mediocridade atual da música, e tem a disposição alguns dos versos mais sagazes de sua geração como “I just lied to get to your apartment, now I’m staying there just for a while” na faixa título, “Oh, you ain’t never had nothing I want, but… I want it all I just can’t figure out…” da ótima Barely Legal, ou “promises they break before they’re made sometimes, sometimes” da quase-balada Someday.

O maior mérito de Is This It é tornar praticamente todas as músicas do álbum conhecidas, mesmo tendo originado apenas três singles. Dificilmente alguma faixa do disco passaria despercebida em uma balada indie. Pouquíssimas bandas conseguem tal feito, e quando digo pouquíssimas, é para reduzir a Beatles e coisas do tipo.

O futuro da banda é incerto devido aos projetos paralelos dos integrantes e ao recente disco solo de Julian Casablancas, como falamos no [DES]Bloqueio há um tempo. Se de fato teremos uma espera a lá Chinese Democracy para o próximo disco do Strokes, uma ótima oportunidade para ouvir e reouvir um dos melhores discos dos últimos 10 anos.

Canções

  1. Is This It
  2. The Modern Age
  3. Soma
  4. Barely Legal
  5. Someday
  6. Alone, Together
  7. Last Nite
  8. Hard to Explain
  9. New York City Cops
  10. Trying Your Luck
  11. Take It or Leave It

Lançamento: 30 de julho de 2001

Produtor: Gordon Raphael

Artwork: Colin Lane


Videoclipes novos e inovadores

26 26UTC janeiro 26UTC 2010

Alguns videoclipes novos que devem ser vistos.

Vampire Weekend – “Cousins”

Frenético como a banda, um ótimo vídeo dirigido por Garth Jennings. Que sempre mistura idéias simples com muita criatividade e inovação, mas que na tela dá um resultado fantástico.

Ok Go! – “WTF?”

A banda que foi sensação do YouTube a alguns anos atrás está de volta, agora com o videoclipe bem mais tecnológico que a febre “Here It Goes Again” , mas não menos contagiante.

Hot Chip – “One Life Stand”

Ótima música e ideia.

Depeche Mode – “Fragile Tension”

A banda mais experiente entre as listadas, que sempre nos deleitou como ótimos videoclipes. Desta vez trás a banda em meio a uma explosão de efeitos visuais, que combina perfeitamente com as batidas oitentistas. Sempre bom ver algo do Depeche Mode!


Radiohead For Haiti

25 25UTC janeiro 25UTC 2010

O Radiohead se apresentou neste domingo (24) no Music Box Theatre em LA, para arrecadar fundos para a tragédia no Haiti. A banda deu uma pausa nas gravações do que provavelmente será o próximo “álbum”, para se solidarizar e tentar de alguma forma levar ajuda ao país devastado.

Os ingressos do show foram vendidos através de um leilão iniciado na quinta feira (21). Segundo o site Stereogum, estavam presentes na platéia um público ilustre, como Daniel Craig, Justin Timberlake, Drew Barrymore, e Charlize Theron.

A novidade no set-list foi à música “Lotus Flower“, música que foi tocada pela primeira vez ao vivo pela banda, mas que já tinha sido apresentada anteriormente por Thom Yorke em um show solo.

Set-list:

“Faust Arp”
“Fake Plastic Trees”
“Arpeggi”
“National Anthem”
“Nude”
“Karma Police”
“Kid A”
“Morning Bell”
“How To Disappear Completely”
“Wolf At The Door”
“The Bends”
“Reckoner”
“Lucky”
“Body Snatchers”
“Dollars & Cents”
“Airbag”
“Exit Music (For A Film)”

“Everything In Its Right Place”
“You and Whose Army?”
“Pyramid Song”
“All I Need”

“Lotus Flower”
“Paranoid Android”
“Street Spirit”


Retorno do [DES]Bloqueio

25 25UTC janeiro 25UTC 2010

Depois de um breve descanso, o [DES]Bloqueio Mental está de volta! Após um 2009 tenso e intenso e um início de ano de várias catástrofes naturais, esperamos que o resto de 2010 seja imensamente melhor.

Mas vamos continuar voltando à década passada para recordar o que de melhor tivemos na música segundos nossas opiniões.

E o line-up do Coachella 2010 hein – sem comentários:


[Melhores Álbuns da Década] 2001

29 29UTC dezembro 29UTC 2009

Por Eric Samuel

Se no ano 2000 minha banda preferida, o Radiohead lançou um dos seus melhores álbuns, em 2001 minha cantora preferida laçou sua obra prima. Björk lançara o “Vespertine”, álbum intimista, que expõe uma das mentes femininas mais brilhantes de nossa geração. Se anteriormente Björk fazia uma ponte entre suas músicas e toda criação em torno das estéticas audiovisuais de seu trabalho, em “Vespertine” ela se desfaz destas anedotas e fixa um trabalho minuciosamente e divino. Deslocando-se do ato de ouvir/ver e aguçando primordialmente os sentidos da audição.

Este álbum não envolve somente um árduo trabalho criativo e de concepção artística, mas envolve todo um sistema engenhoso de construção sonora, Björk sempre sabe aonde quer chegar quando inicia um trabalho e se cerca de pessoas que vão fazer o que ela quer…

Se em seu álbum anterior “Homogenic”, Björk parecia exorcizar toda a raiva e suas angústias, com a imposição de sua voz, em “Vespertine” ela parece sussurrar, as vezes elevando sua voz a timbres angelicais. Tudo isso com o apoio de harpas, um coro e caixinhas de músicas criadas especialmente para servir de base para algumas músicas. Vespertine” coloca a tona a fragilidade humana e nos hipnotiza.

Abrindo com Hidden Place, a sutileza de suas palavras dão uma certa sensualidade, seguida pela estranha e sedutora Cocoon, Björk canta com uma voz embargada, quase que uma respiração. Pagan Poetry, retrata a profundidade do amor, a dor que está atada neste sentimento, e Björk transpassa isso para quem está ouvindo. Sua intimidade revelada de forma sutil e sedutora.

Canções:

1. Hidden Place

2. Cocoon

3. It’s Not Up to You

4. Undo

5. Pagan Poetry

6. Frosti

7. Aurora

8. An Echo, A Stain

9. Sun in My Mouth

10. Heirloom

11. Harm of Will

12. Unison

Lançamento: 28 de agosto de 2001

Produtor: Björk e Marius de Vries

Artwork: foto por Inez van Lamsweerde e Vinoodh Matadin; gráficos por M/M (paris); e o famoso vestido de cisne foi desenhado por Pejoski Marjan.